terça-feira, 18 de março de 2008

Um trecho de verossimilhança:
Para produzirmos um texto é necessário que conheçamos o assunto que será explorado. Mesmo que seja a partir de uma notícia de jornal, um documentário ou uma imagem, pois é a partir de tais dados que produziremos. O resultado desse processo de produção retratará nossa maneira de interpretar as fontes, nossa visão de mundo e experiências vividas. Para transmitir o que pretendemos, recriamos o real de acordo com a nossa vontade. Quando exploramos a ficção é importante que nossa obra seja verossímil, dando ao leitor a idéia de verdade, aproximando-o da nossa realidade. Para construir uma narração que faça sentido ao leitor, todos os seus elementos (enredo, narrador, personagem, tempo e espaço) precisam compor um ‘todo verdadeiro’. É através da verossimilhança, da aproximação da realidade, que o texto se fará real. Em literatura, o termo designa a ideia de que aquilo que é narrado se assemelha à realidade. No teatro, tem a ver com a clássica Regra das Três Unidades (séc. XVII), inspirada em Aristóteles, segundo a qual a tragédia deve respeitar as unidades de local, tempo e acção, bem como a da «bienséance», que excluía, no palco, o crime, o horror e a violência. Para certos autores, a verossimilhança é mais exigente que a verdade, na medida em que «o verdadeiro por vezes pode não ser nada verdadeiro» (Nicolas Boileau).

Nenhum comentário: