domingo, 1 de junho de 2008


Tzvetan Todorov - o 1º da foto da esquerda para direita

(Sófia, 1939) é um filósofo e lingüista búlgaro radicado na França desde 1963 em Paris. Após completar seus estudos, passando a freqüentar então os cursos de Filosofia da Linguagem ministrados por Roland Barthes, um dos grandes teóricos do Estruturalismo. Todorov foi professor da École Pratique de Hautes Études e na Universidade de Yale e Diretor do Centro Nacional de Pesquisa Científica de Paris (CNRS). Atualmente é Diretor do Centro de Pesquisa sobre as Artes e a Linguagem da mesma cidade. Publicou um número considerável de obras, que estão hoje traduzidas em vinte e cinco idiomas, além disso, produziu vastíssima obra na área de pesquisa lingüística e teoria literária. O pensamento de Todorov direciona-se, após seus primeiros trabalhos de crítica literária sobre poesia eslava, para a filosofia da linguagem, numa visão estruturalista que a concebe como parte da semiótica (saussuriana), fato que se deve aos seus estudos dirigidos por Roland Barthes. Com a publicação de A Conquista da América, Todorov expõe suas pesquisas a respeito do conceito de alteridade, existente na relação de indivíduos pertencentes a grupos sociais distintos, cujo tema central encontra justificativa na situação do próprio autor, que é imigrante na França, um país onde a relação entre nacionais e estrangeiros é historicamente marcada por um xenofobismo não declarado. Todorov também escreveu a respeito do fantástico na literatura, fazendo a diferenciação entre a tríade: fantástico, estranho e maravilhoso. É sobre seu conceito que o fantástico é criticado atualmente.

Zilá Bernd - foto do centro

Zilá Bernd é internacionalmente conhecida por seu trabalho de pesquisa na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em linguagens comparadas nas Américas, Literatura Comparada, Americanidade e identidade, estudos culturais e relações literárias interamericanas.Doutora pela Universidade de São Paulo com pós-doutorado em Montreal, trabalha com interdisciplinaridade em transferências culturais nas Américas e hibridação literária. É coordenadora do Grupo que com a participação de cerca de 100 pesquisadores do Brasil, França e Canadá acabou de conduzir pesquisa de dois anos na formação do Dicionário de Figura e Mitos Literários das Américas, a partir do Rio Grande do Sul, edição Tomo/UFRGS, 702 páginas. Foi responsável pela edição de vários CD-ROM sobre temática das relações culturais e literárias inter-americanas, principalmente Transcultural translators; Mediating Race, Indigeneity and ethnicity in four nations (Rockefeller Center, 2003), e Figures et mythes littéraires des Amériques (Montreal: McGill 2005). Sua investigação partiu da heterogeneidade das literaturas, consciente de que a proposta de adesão a uma identidade continental pode corresponder a um anseio de afirmação identitária mais abrangente. "Como identificar-se a algo com tantas facetas onde convivem a riqueza e a pobreza, onde os desníveis econômicos e sociais são imensos e onde tantas culturas se mesclaram em diferentes momentos de sua história?" Estas questões fazem romper com os tradicionais pontos de referência étnicos, lingüísticos e nacionais que são os que, via de regra, criam entre os indivíduos a noção de pertença a uma comunidade.Há vantagens nisto, diz Zilá, observando que americanidade, americanité, americanidad, é uma outra identidade que é também o lugar de quem migra. Americanidade é a percepção de um sentido comum americano, apesar da grande heterogeneidade que caracteriza literaturas americanas e da constante movência de suas fronteiras culturais, trazendo uma preocupação comum: a de constantemente se (re)definir. No Norte, a noção de americano e americanização é imprecisa, e ao Sul da América, a busca por identidade desde o século XIX foi constante.

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Stuart Hall

Stuart Hall (nascido em 3 de fevereiro de 1932 em Kingston, Jamaica) é um teórico cultural que trabalha no Reino Unido. Ele contribuiu com obras chave para os estudos da cultura e dos meios de comunicação, assim como para o debate político.Em 1951 Hall mudou-se para Bristol, aonde viveu antes de ir para Oxford. Ele estudou como um bolsista Rhodes no Merton College, na Universidade de Oxford, onde obteve o seu mestrado (M.A.) Trabalhou na Universidade de Birmingham e tornou-se o personagem principal do Birmingham Center for Cultural Studies. Entre 1979 e 1997, Hall foi professor na Open University.
Nos anos 1950, após ter trabalhado na Universities and Left Review, Hall juntou-se a
E. P. Thompson, Raymond Williams e outros para fundar a revista New Left Review – na esteira da invasão soviética da Hungria em 1956 (que fez com que muitos membros do partido comunista da Inglaterra se desfiliassem e procurassem alternativas à ortodoxia soviética). Sua carreira deslanchou após co-autorar com Paddy Whannel “The popular arts” em 1964. O convite feito por Richard Hoggart para que Hall entrasse no Birmingham Center for Cultural Studies foi um resultado direto dessa publicação. Em 1968 Hall tornou-se o diretor dessa unidade situada na Universidade de Birmingham. Ele escreveu muitos artigos influentes nos anos que seguiram, incluindo: Situating Marx: Evaluations and Departures (1972), Encoding and Decoding in the Television Discourse (1973). Ele contribuiu também para o livro Policing the Crisis (1978). Após ser nomeado professor de sociologia na Open University em 1979, Hall publicou uma série de livros influentes, incluindo: The Hard Road to Renewal (1988), Resistance Through Rituals (1989), The Formation of Modernity (1992), Questions of Cultural Identity (1996) e Cultural Representations and Signifying Practices (1997). Em 1997, Hall aposentou-se da Open University. O trabalho de Hall é centrado prinipalmente nas questões de hegemonia e de estudos culturais, a partir de uma posição pós-gramsciana. Hall concebe o uso da lingüagem como determinado por uma moldura de poderes, instituições, política e economia. Essa visão apresenta as pessoas como “produtores” e “consumidores” de cultura ao mesmo tempo. (A hegemonia na concepção de Gramsci refere-se à produção de consenso e não ao recurso exclusivo à coerção). Hall tornou-se um dos principais advogados da teoria da recepção. Esse ramo da análise textual dá atenção à possibilidade de negociação e de oposição por parte da audiência no processo de recepção de um texto (compreendido como não apenas escrito, mas oral e visual). Isso significa que a audiência não é apenas uma receptora passiva de um texto. Sua recepção é um processo ativo, onde há negociação em torno da significação. O significado depende do contexto cultural da pessoa, fator que pode explicar porque alguns aceitam uma forma de leitura de um texto que outros rejeitam. Hall desenvolveu ainda mais essas idéias à frente em sua carreira, com seu modelo de codagem/decodagem do discurso midiático. Segundo esse modelo, o significado de um texto situa-se em algum lugar entre o produtor e o leitor. Embora o produtor codifique seu texto de uma forma particular, o leitor irá decodificá-lo de uma maneira levemente diferente – o que Hall chama de “margem de entendimento”. Seus trabalhos – como os estudos sobre preconceito racial e mídia – são considerados muito influentes e fundadores dos contemporâneos estudos culturais. Pode-se notar a influência de Hall sobre o Partido Trabalhista do Reino Unido, embora o próprio recuse a associação. Hall escreveu muitos artigos para a revista teórica do partido comunista da Inglaterra, “Marxismo Hoje”, nos quais contestou visões clássicas da esquerda sobre o mercado e o conservadorismo político. Seu discurso teve um impacto profundo no Partido Trabalhista sob Neil Kinnock et Tony Blair, especialmente porque boa parte daqueles em volta dos dois líderes chegaram à maturidade política quando do auge do “Marxismo Hoje”. Contudo, Hall vê-se a si mesmo como mais distanciado do Partido Trabalhista do que nunca. Telespectadores britânicos conhecem-no por seus gentis et sensatos comentários sobre as questões que se colocam atualmente no país envolvendo uma sociedade acentuadamente multi-cultural. Hall apresenta o programa “Politicamente Incorreto” na CNBC. Embora menos conhecido na América Latina, Hall é muito respeitado na Europa e na América do Norte.

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